Capim-limão
Você chega com esse cheiro de café com canela,
trazendo uma saudade mansa de capim-limão.
A barba bem feita, o sorriso que desarma;
você me abraça, me aperta
e me prende na cadência do seu coração.
Não esqueça que o sol lá fora queima,
mas é fogo morto perto do incêndio que você carrega.
Nada arde tanto quanto o teu beijo, essa marca profunda,
um selo impresso em mim.
Me consome na urgência;
deixa que o suor misture o aroma de nossas especiarias.
Não quero saída nem abrigo;
quero o nosso encontro com esse sabor de memória, poesia e aconchego.
É que é difícil amar pouco
quando você é feito de mel, borogodó e dengo.
Se tudo é pressa e estrondo,
aqui somos nascente, rio e correnteza.
Deixa que a vida lá fora corra,
enquanto a gente floresce no nosso compasso.

