Le Petite Mort
O pensar esquece o contorno do mundo
e o tempo se torna uma falha na gramática do agora.
Não há o ontem, nem o amanhã,
apenas o peso exato do seu corpo contra o meu
As mãos conduzem uma sinfonia de tensões apertando o cerco,
colapsando as distâncias até que o movimento se torne uma única nota,
contínua, grave, vibrando na base do ventre.
O desejo é uma corda esticada ao limite,
prestes a romper a última barreira da lógica.
A consciência se estilhaça em mil fragmentos de luz,
enquanto o corpo se entrega à vertigem final
É o abalo que suspende a gravidade,
um desmaio de prazer que nos rouba de si
e nos deixa flutuando, sem nome, no vácuo.
E então, o sorvedouro
Aquele instante em que tudo se dissolve em um curto-circuito na lógica do ser
A alma se desprende, trêmula e,
por um segundo eterno, deixamos de existir.
É uma morte mansa, sem luto
Um silêncio branco que inunda os sentidos
ate que o coração, em passos lentos,
decida, enfim, retornar ao peito.

